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Brincar será mesmo coisa séria?

Mai 1, 2020 | Brincar | 0 comments

Brincar… essa palavra tão importante de origem latina, que vem de vinculum e deriva de vincire, que significa seduzir, encantar.    

Porque será tão importante para as nossas crianças brincarem com os seus pares ou até mesmo sozinhas, em detrimento de brinquedos físicos e descartáveis, sem prolongado apego emocional?

Mais do que brinquedos, as crianças precisam de criar brincadeiras, fazer amigos, mas também de brincarem sozinhas. Precisam de se frustrarem e entediarem, como indica o prof. Carlos Neto.

É imperativo conhecerem o próprio corpo quando brincam, explorarem o espaço e meio envolventes, esgotarem o tempo e, principalmente, puxarem pela imaginação para se “entreterem”. 

 

O primeiro brincar da criança é com o seu próprio corpo. O “brincar ao faz de conta” (que começa por volta dos 2 anos) quando a criança brinca com as bonecas como se fossem os seus bebés e lhes dá a papa e o banho – desenvolve o simbolismo e a capacidade de se colocar no lugar do outro, a tão em voga “empatia”. 

Por volta dos 2 anos a criança começa a descobrir e conhecer o próprio corpo, as suas funcionalidades e potencialidades. Desenvolve a sua autoestima e a autorregulação.

 

Ao brincar, a criança elabora o seu mundo interno através das experiências externas. Bruner, chamado “pai” da Psicologia Cognitiva (que estuda os processos mentais que estão por trás do comportamento), refere que a aprendizagem é um processo ativo, no qual as crianças desenvolvem novas ideias e criam conceitos com base nas suas vivencias passadas e atuais. A criança elabora hipóteses e toma as suas decisões com base e de acordo com as suas vivências.

 

Ao brincar, a criança vive uma experiência criativa na relação com o mundo. Piaget, que propôs a Teoria dos estágios de desenvolvimento (Inteligência sensório-motora, Pré-operatória, Operatório concreto e Operatório formal ou abstrato), indica que o conhecimento (capacidade cognitiva) não nasce no sujeito nem no objeto, dá-se na interação entre os dois.

 

Brincar conduz ao lúdico e aos relacionamentos grupais. Vygotsky é defensor de que as interações sociais e condições de vida das crianças são cruciais para o seu desenvolvimento intelectual. Um dos seus princípios é o de que o ser humano constitui-se enquanto tal no estabelecimento de  relações com os seus pares e valoriza as tarefas coletivas e grupais.  

Já Winnicott diz-nos que se o brincar é essencial para uma criança, é porque é a brincar que a criança se demonstra criativa.

 

“O máximo de maturidade que
um homem pode atingir é quando
ele tem a seriedade que têm
as crianças quando brincam“.


Nietzsche

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